"Chove dentro de casa": O abandono da Rua Rainha Dona Catarina no Bairro da Boavista
Habitantes do prédio n.º 8 denunciam condições desumanas e inércia da Gebalis e da Câmara Municipal de Lisboa após as últimas chuvadas.
LISBOA – As recentes chuvas que fustigaram a capital não trouxeram apenas água; trouxeram o agravamento de um pesadelo vivido por Cátia Raquel e pelos seus vizinhos na Rua Rainha Dona Catarina. No interior do n.º 8, as paredes "choram" humidade e o bolor tomou conta dos tetos, expondo a face mais negra da crise habitacional na gestão pública da cidade.
Um cenário de degradação e perigo
As imagens captadas por Cátia Raquel são um testemunho visual de negligência. O que deveria ser um refúgio seguro transformou-se num ambiente insalubre:
Saúde em Risco: As manchas negras de bolor que cobrem os tetos das divisões (quartos e áreas de estar) são focos de contaminação fúngica, representando um perigo imediato para a saúde respiratória dos moradores.
Caos nas Zonas Comuns: No exterior das frações, o cenário não melhora. Escadas metálicas improvisadas e entulho acumulado junto a grelhas de proteção sugerem uma ausência total de manutenção e de segurança contra incêndios ou evacuação.
Infiltrações Estruturais: A água das chuvas atravessa a estrutura do edifício, escorrendo por paredes onde a instalação elétrica se torna uma ameaça silenciosa.
"Ninguém faz nada"
O silêncio das autoridades
A moradora recorreu às redes sociais num ato de desespero, "marcando" diretamente os responsáveis: a Gebalis (gestora dos bairros municipais) e a Câmara Municipal de Lisboa (CML).
Apesar da exposição pública e do histórico de queixas no Bairro da Boavista, a resposta tarda em chegar.
"É assim que estamos, e ninguém faz nada", desabafa a moradora, sublinhando o sentimento de abandono por parte de quem tem o dever legal de assegurar a dignidade habitacional.
A Urgência de Intervenção
A comunidade local exige agora uma vistoria urgente da Proteção Civil e dos serviços de Salubridade da CML. O estado de degradação do prédio n.º 8 não é apenas uma questão estética; é um problema de dignidade humana e segurança pública que exige mais do que promessas eleitorais ou planos de reabilitação a longo prazo.
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