5 de novembro de 2016

Voz da Verdade: Presença do Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente


04 de Novembro de 2016

Bairro da Boavista, em Benfica, celebra 75 anos

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É uma paróquia “bairrista” e pobre, às portas da cidade, que aposta nos mais novos e tem na família o seu grande desafio. O Bairro da Boavista, em Benfica, comemorou recentemente 75 anos e recebeu a visita de D. Manuel Clemente que, na praça central do bairro, avivou a importância de escutar o outro e colocar-se ao serviço da comunidade.
Foi há 75 anos – comemorados no passado dia 25 de outubro – que o Bairro da Boavista, na zona nordeste da cidade de Lisboa, foi inaugurado. Desde a sua génese que este bairro “periférico” da cidade esteve destinado a realojar famílias, provenientes de outros bairros pobres ou de zonas que viram crescer as grandes obras públicas do regime, tais como o viaduto Duarte Pacheco ou a ponte Salazar. Atualmente, os habitantes mudaram e o bairro ganhou novas culturas e etnias, mas o traço de bairro social mantém-se presente, para quem lá entra ou vive. Existem cerca de 5.000 habitantes recenseados, mas as últimas estimativas apontam para mais de 8.000 pessoas ali a residir, muitos em casas de familiares. “Vêem-se na rua muitos jovens desocupados, a toda a hora do dia. Choca ver o desemprego juvenil. Depois, as pessoas fazem muito a vida nos cafés, na rua principal”, relata ao Jornal VOZ DA VERDADE o recém-chegado pároco do bairro, padre Pedro Fernandes Coutinho. Para este sacerdote dehoniano, que tomou posse como pároco da paróquia do Bairro da Boavista no passado dia 2 de outubro, o trabalho pastoral garante-se tendo “uma relação pessoal próxima, amiga, fraterna” com as pessoas. “Aprendi que temos que ganhar as pessoas uma a uma. Quando é possível, é esse o estilo que procuro aplicar e que aprendi nos anos em que estive em missão”, afirma.

Presença
A paróquia do Bairro da Boavista tem apenas 13 anos e é na modesta igreja de São José, erguida em lugar central do bairro, que pretende ser uma resposta às necessidades das pessoas do bairro. “Muitas pessoas não têm qualquer relação com a Igreja, portanto, o trabalho que se impõe é uma presença”, refere o padre Pedro, que se manifestou feliz pela presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa, no passado dia 29 de outubro, para a celebração do sacramento do Crisma a alguns jovens e adultos. “Agradeço muito esse momento, pelo feitio afável que tem o nosso Patriarca, ao cumprimentar as pessoas e tornar a Igreja visível”. A Missa campal, em pleno local central do bairro, “mostrou que as pessoas podem contar com a Igreja quando precisarem”. “Os moradores sabem que estamos aqui, do lado dos pobres, misturados com eles. Nós não temos que cativar as pessoas para ‘votarem’ em nós, apenas temos que levar o Evangelho de Jesus às pessoas, para viverem mais felizes”, argumenta o padre Pedro Coutinho.

Em toda a parte
O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, começou por recordar a última vez que esteve no Bairro da Boavista – “numa noite de Natal, antes de ser nomeado Bispo do Porto” – e dirigiu-se ao grupo de crismandos para lembrar que “ser crismado é receber o Espírito de Deus, o Espírito de Jesus, para continuar a sua obra”. “Cada um de acordo com os dons que recebe, para usar na comunidade cristã, para que seja uma comunidade, uma coisa comum, como Deus quer. Não caiam na tentação de olhar para cima das nuvens porque Deus tanto está lá em cima como está cá em baixo. Deus está em toda a parte”, alertou o Cardeal-Patriarca. Aos fiéis que, na praça central do bairro, participaram na Missa ou que simplesmente estavam ali de passagem, D. Manuel Clemente assegurou que “a glória de Deus é Ele contar com todos para que a vida continue. Nós somos sinais da glória de Deus”. “Passo por muito lado, ouço muita gente, e continuo todos os dias a ouvir da boca dessas pessoas a continuação do Evangelho no mundo, o Espírito de Deus a atuar na terra. Os simples e pequenos percebem isso. Neste bairro, onde forçosamente as pessoas estão próximas umas das outras, porque há necessidades tão urgentes para resolver no dia-a-dia, isso torna-se simples”, garantiu o Cardeal-Patriarca.
D. Manuel Clemente agradeceu o trabalho desenvolvido no Bairro da Boavista pelos sacerdotes e religiosas da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos) e desafiou todos os presentes, em especial os que iriam ser crismados, a escutarem o outro. “Cada um tem imensa coisa que nem sabe, tem tanto para dar se for ouvido, atendido… é um continente para explorar. No Espírito de Jesus Cristo, tudo é possível e, pelo sacramento do Crisma, isso será reavivado nos vossos corações para serem Evangelho vivo e onde a vida vos levar”, assegurou.

  • Leia a reportagem completa na edição do dia 3 de novembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.

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