5 de junho de 2016

CMTV - Marchas Populares - "Ficámos sem 22 mil euros!"

"Ficámos sem 22 mil euros!", diz Gilda Caldeira, do bairro da Boavista. O alvo da fúria é uma figura conhecida nas marchas, a quem entregaram a confeção dos fatos e arcos. Mas nesta quarta-feira, quando pediram contas, descobriram que os fatos e arcos não estavam prontos. Estalou a revolta, agravada pelo facto deste responsável estar "incontactável", dizem os lesados. Na Bica e no Alto do Pina as despesas extra são da ordem dos seis mil euros. "Desorientou-se! Estragou a carreira", diz Pedro Jesus, do Alto do Pina. "Tivemos de arranjar uma costureira. A nível do projeto, o prejuízo é incalculável", afirma Pedro Duarte, da Bica. Marchas avançam com ação judicial As marchas populares dos bairros do Alto do Pina, Bica, Lumiar e Boavista, em Lisboa, foram lesadas, duas delas em seis mil euros, devido ao incumprimento do contrato estabelecido com o cenógrafo, pelo que vão recorrer a tribunal. O responsável pela marcha do Alto do Pina, Pedro Jesus, disse à Lusa que "nada fazia prever que houvesse este desfecho", contando que contratualizaram os serviços do cenógrafo e figurinista Joaquim Guerreiro, "um nome reputado no mundo das marchas", mas que este não cumpriu com o prazo de entrega. Segundo Pedro Jesus, a marcha do bairro do Alto do Pina encomendou os figurinos e a cenografia pelo valor de 19 mil euros e há já algum tempo recebeu a cenografia completa, mas só esta quarta-feira é que teve conhecimento de que os figurinos ainda estavam por terminar. "Para recuperarmos o material tivemos que ir aos fornecedores dele [cenógrafo] e liquidar as dívidas que ele contraiu", declarou o responsável pela marcha do Alto do Pina, afirmando que, entre pagar aos fornecedores e contratar costureiras para terminar o trabalho, o prejuízo ronda os seis mil euros. De acordo com Pedro Jesus, a marcha do Alto do Pina vai, "juntamente com as outras marchas, entrar com uma ação judicial" contra o cenógrafo. Em declarações à agência Lusa, o diretor de programação das Festas de Lisboa, Pedro Moreira, exprimiu "total desagrado" pela situação, informando que a marcha do bairro da Boavista foi a mais prejudicada. "Estão todos ainda enfiados em costureiras para tentar colmatar o problema", comunicou o responsável pela programação das festas lisboetas, mostrando-se disponível para ajudar no apoio jurídico às quatro marchas afetadas. Segundo Pedro Moreira, esta situação "foi, seguramente, a mais grave de que há conhecimento ao longo destes anos todos" nas marchas populares de Lisboa. No caso da marcha do bairro da Bica, "a perda é incalculável", afirmou o responsável, Pedro Duarte, argumentando que é difícil finalizar um projeto que foi pensado e estruturado por outra pessoa. "A situação prende-se acima de tudo com o incumprimento das pessoas e a falta de caráter e de palavra", considerou. O prejuízo para a marcha da Bica também ronda os seis mil euros, informou Pedro Duarte, explicando que é o valor necessário para "a contratação de costureiras à última da hora, a compra de materiais, a finalização de arcos, as maquilhadoras, os cabeleireiros, tudo o que diz respeito ao que estava contratualizado e que não foi cumprido". Marcha do Lumiar pagou 16 mil euros O responsável da marcha da Bica não quis revelar o valor acordado com o cenógrafo, mas confirmou que também pretende avançar com uma ação judicial. Sobre a participação da marcha da Bica nas Festas de Lisboa, Pedro Duarte assegurou que "nada vai ficar para trás" e o bairro "vai desfilar com o dobro da força". Para a marcha do Lumiar, o problema não foi muito significativo, referiu o responsável Artur Botão, acrescentando que conseguiram arranjar mão-de-obra para concluir os trabalhos em falta. A marcha do Lumiar pagou 16 mil euros pelos serviços contratados, revelou Artur Botão, admitindo que o trabalho entregue pelo cenógrafo e figurinista, apesar de estar inacabado, até corresponde ao valor pago. "O dano monetário não foi muito relevante" para a marcha do Lumiar, reforçou. A Lusa tentou contactar o cenógrafo e figurinista Joaquim Guerreiro, mas até ao momento não foi possível. 

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