12 de agosto de 2014

O Bairro vai ter uma Cozinha Comunitária com Serviço de Takeaway

Lisboa vai ter uma loja social sobre rodas e uma cozinha comunitária com serviço de take-away

A Câmara de Lisboa vai financiar, ao abrigo do Programa BIP/ZIP, 39 projectos da iniciativa de juntas de freguesia e organizações não governamentais.
Um dos projectos vencedores vai dedicar uma semana por mês a um país na Av. Almirante Reis DANIEL ROCHA
A criação de uma cozinha comunitária com “um serviço de take-away social” no Bairro da Boavista, a abertura de uma “loja social itinerante” em São Domingos de Benfica, a produção de “uma linha de produtos ecológicos e artesanais para lavagem de roupa” no Bairro da Bela Flor e a dinamização de actividades dedicadas a 11 países diferentes nas ruas de Arroios são alguns dos projectos vencedores da mais recente edição do Programa BIP/ZIP, promovido pela Câmara de Lisboa.
Os 39 projectos eleitos, de um total de 146 candidaturas apresentadas, têm agora um ano para ser executados, prevendo-se a sua conclusão até ao fim de Julho de 2015. No total, o município vai investir cerca de 1,6 milhões de euros neste programa, apresentado como “um instrumento de política municipal de desenvolvimento local que visa dinamizar parcerias locais através de intervenções diversas para melhoria dos ‘habitats’ abrangidos”.
Nesta edição, segundo as contas da câmara, vão ser desenvolvidas “mais de 250 actividades”, em 40 dos 67 Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária da cidade. Entre eles o Bairro da Boavista, onde a Junta de Freguesia de Benfica, a associação de moradores e uma outra associação de desenvolvimento local se uniram em torno do projecto “Boavista take-away”, que foi aquele ao qual o júri do Programa BIP-ZIP atribuiu uma pontuação mais elevada.
A ideia, como explica a presidente da junta, é realizar obras numa cozinha já existente nas instalações da Associação Recreativa de Moradores e Amigos do Bairro da Boavista, transformando-a numa cozinha comunitária onde os residentes poderão cozinhar, mas também obter formação que lhes dê ferramentas para “criarem o seu próprio emprego”. Dessa cozinha, acrescenta Inês Drummond, espera-se que venham a sair refeições destinadas a alimentar famílias carenciadas, mas também a ser vendidas “a preços competitivos” no local.
A autarca socialista acrescenta que, sendo um dos objectivos o “combate à exclusão social”, este projecto não irá restringir-se ao bairro, no qual se estima que vivam cerca de 4500 pessoas. Nesse sentido, está prevista a realização de pequenos mercados nas ruas de Benfica onde, como se explica na candidatura apresentada, os intervenientes neste projecto “poderão mostrar e vender os seus dotes culinários, trazendo a vida do bairro para a restante freguesia”.
Entre os 39 projectos com concretização prevista até Julho do próximo ano está um outro que abrange o Bairro da Boavista, mas também o da Bela Flor, em Campolide. Intitulado “Boa”, este projecto prevê a criação de “um espaço de co-work/co-produção”, onde moradores do primeiro bairro irão produzir lixívia e detergente para a loiça a partir de materiais como folhas de eucalipto de Monsanto, e residentes do segundo bairro se dedicarão ao fabrico de detergentes para a roupa.   
Já na freguesia vizinha de São Domingos de Benfica vai surgir, pelas mãos da junta, de três centros sociais e paroquiais da zona e do Modatex - Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, Vestuário, Confecção e Lanifícios, uma “loja social itinerante”. Segundo se explica no formulário de candidatura, na loja, que funcionará numa carrinha adaptada para o efeito, “será promovida a venda ou doação de bens de vestuário, brinquedos, calçado, manuais escolares”, sendo igualmente prestado “um serviço de customização e arranjos de roupa”.
Essas actividades serão asseguradas por residentes da Rua Direita da Palma de Baixo, artéria que se caracteriza por uma ausência de comércio de proximidade. “Combater o isolamento social da população idosa e desemprega” é um dos principais objectivos deste projecto.
Em Arroios, a junta, o Alto Comissariado para as Migrações e duas associações vão levar para a rua a multiculturalidade de que é feita a freguesia: em cada mês haverá uma semana com iniciativas destinadas a dar a conhecer a “cultura, gastronomia e costumes” de um determinado país. “Uma imagem que traduz a visão deste projecto”, diz-se na candidatura, “consiste na Avenida Almirante Reis decorada com candeeiros chineses, com danças, dragões, gueixas e samurais, com barraquinhas de comida e artesanato”.    

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